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BBC: As histórias por trás das canções

Da BBC.


O maior colaborador de Janet Jackson, Jimmy Jam, revela os segredos por trás de seus maiores sucessos e fala sobre seu novo álbum, Unbreakable.

Após sete anos longe do estúdio, Janet Jackson lança um novo álbum, Unbreakable, na sexta-feira.

Vem depois de uma década tumultuada em que seu irmão, Michael, morreu; e sua música foi banida por algumas estações de rádio dos Estados Unidos depois de um “acidente de vestuário” no Super Bowl. Unbreakable parece uma resposta a esses eventos, bem como a alguns outros mais felizes, particularmente o casamento de Jackson com o empresário catarense Wissam Al Mana em 2012.

Com mais de 17 faixas, a cantora fala sobre a tristeza e a depressão, mas também sobre o amor, lealdade e compaixão. O mais importante, ela reforça, é que amigos irão te ajudarão a superar os tempos difíceis.O álbum reúne Jackson com os produtores Jam e Lewis, que a resgataram da humilhação do ‘cesto de promoções‘ em 1986 e estiveram por trás de seus álbuns mais bem sucedidos, do ‘Control’ ao ‘janet.’ e além.

Falando à BBC, de Nova Orleans, Jimmy Jam revelou as histórias por trás suas músicas que são a marca da Janet, e escolheu seus destaques do novo álbum.

· Você pode ouvir uma playlist das canções neste artigo no Spotify, Deezer ou Apple Music.

WHAT HAVE YOU DONE FOR ME LATELY (do Control, 1986)



O primeiro single de Janet com Jam e Lewis, ‘What Have You Done For Me Lately’ apresenta a cantora como uma feroz mulher independente, impiedosamente dispensando o namorado irresponsável. “Você precisa ser grato pelas pequenas coisas,” ela repreende, “mas parece que pequenas coisas é tudo o que você me dá.”

Originalmente, ‘What Have You Done For Me Lately’ ia ser uma faixa de um álbum em que eu e Terry estávamos trabalhando – nosso próprio álbum. O resto do álbum ‘Control’ estava todo feito mas o [empresário da gravadora] John McClain disse: “Hey caras, eu só precisam de mais uma música.”

A letra surgiu por causa de um relacionamento que Janet tinha terminado [seu casamento com o cantor de soul James DeBarge, que foi anulado um ano antes]. O conceito era basicamente, “ele costumava fazer coisas boas para você, mas o que ele fez por você ultimamente?”

Todas as músicas que fizemos com Janet no ‘Control’ tinham muita de atitude. Ela sempre teve muita atitude nos papeis que interpretou na TV e achamos que estava faltando isso em seus álbuns anteriores.

Então, em ‘Nasty’, em ‘Control’, em muitas das canções do álbum, nós tentamos trazer isso para fora: faixas realmente agressivas, faixas realmente contundentes, porque sabíamos que ela conseguiria fazê-lo.


STATE OF THE WORLD (do Rhythm Nation 1814, 1989)

O álbum ‘Rhythm Nation’ abre com uma tríade de músicas pedindo ação contra a pobreza, o racismo e o analfabetismo. Entre eles está ‘State Of The World’, que capta o horror crescente de Janet enquanto ela testemunha os sem-teto, a dependência de drogas e prostituição logo na sua porta de sua casa.

Estávamos tentando fazer algo como ‘What’s Going On’ do Marvin Gaye – embora nunca esperaríamos alcançar isso – mas queríamos conscientizar as pessoas sobre o que estava acontecendo, de uma maneira que você pudesse dançar.

Nesse disco havia um monte de sons metálicos, um monte de latas de lixo e vidro quebrando – o tipo de coisas que eram a paisagem sonora das ruas.

Se a gente se preocupou por começar o álbum com uma grande mensagem social? Não, não nos preocupamos.

Talvez, na verdade, se a gravadora tivesse ouvido o que estávamos fazendo, eles não teriam gostado. Mas a coisa boa do ‘Control’ e ‘Rhythm Nation’ foi que foram feitos em um vácuo. Estávamos em Minneapolis, longe das gravadoras de Los Angeles e Nova York. Não havia mesmo qualquer influência externa.

Mas eu sempre pensei, e se você desse aquele mesmo lote de canções para a gravadora e dissesse, “OK, aqui está nosso álbum”? O álbum se chamaria ‘Escapade‘? E o álbum teria uma foto colorida da Janet sorrindo na capa?


THAT’S THE WAY LOVE GOES (do janet, 1993)


Acenando para o quarto, Janet reduziu as luzes e aumentou o calor nesta canção sinuosa, sedutora, baseada num sample de ‘Papa Don’t Take No Mess’ de James Brown. Uma inesperada mudança de estilo – na letra e na música – foi a apresentação ao público de uma Janet mais adulta.

Eu sou um grande fã de James Brown, e sempre achei que seria legal pegar algo funk que ele fez e, na verdade, fazer uma canção disso. Então essa foi a intenção.

Todos pareceram gostar muito mas quando toquei para a Janet, ela meio que disse, “ah, é OK.” E então nos deixamos de lado – porque estávamos trabalhando em um monte de outras coisas, também.

Quando fizemos um pausa na época das festas de Natal ela disse, “monte um cassete para mim” e eu coloquei essa faixa lá, porque, na minha cabeça, ainda era uma faixa viável. Ela foi para Anguilla e quando ela voltou, a primeira coisa que ela disse foi “temos que trabalhar naquela faixa” e ela imediatamente veio com o título.

Janet tinha recentemente assinado um contrato recorde de 40 milhões de dólares com a Virgin Records, que queria que uma outra música – ‘If‘ – fosse primeiro single da Era. A estrela estava inclinada a concordar, até um megastar do rap intervir.

‘If’ era basicamente uma conclusão do ‘Rhythm Nation’. Bem baulhenta, metálica.

Eles estavam todos apaixonados com ela. Em suas mentes, essa era pra ser o primeiro single, mas [Jam & Lewis] dizíamos: “Não! Isso é o que todos esperam!”

Recebemos o Chuck D e o [produtor de hip-hop] Hank Shocklee no estúdio e nós dissemos: “Podemos ouvir sua opinião?” Era cerca de três da manhã, mas nós tocamos ‘That’s The Way Love Goes’, depois ‘If’ e perguntamos: “Então, qual delas?”

Chuck falou tipo, “‘If’, cara, isso é uma música típica da Janet. Mas a outra… É como quando a Sade lança uma música, não há nenhuma expectativa, e de repente aquilo está na sua frente.”

E Janet olhou para ele, e ela disse: “Okay, ‘That’s The Way Love Goes”. Obviamente deu muito certo, mas ainda existem pessoas que acham que seria melhor começar com ‘If’.


GOT TIL IT’S GONE (do The Velvet Rope, 1997)

Uma fuga do estilo comercial de Janet, este som realista, acanhado, surpreendeu muitos fãs – não só porque sampleava ‘Big Yellow Taxi’ da Joni Mitchell.

Antes de tudo, tivemos que ligar para a Joni Mitchell e obter sua permissão. Mas ela era uma fã e disse, “Eu não posso esperar para ouvir o que vocês farão,” o que foi muito legal.

É uma faixa bem modesta. Sou um grande fã do [falecido produtor de hip-hop] J Dilla e essa gravação foi minha a tentativa de fazer uma faixa à la J Dilla. Pensei que parecia um hip-hop boêmio.

Foi interessante [nos Estados Unidos] porque as rádios pop nem encostaram nela. Provavelmente o vídeo não ajudou. Mark Romanek fez um trabalho tão bonito, mas foi muito étnico… Não era o que as pessoas estavam curtindo.


SHOULDA KNOWN BETTER (do Unbreakable, 2015)


25 anos depois de ‘State Of The World’, Janet percebe quão pouco mudou. “Por quê, por quê, por quê?” ela chora sobre uma batida pulsante de House, antes de fazer uma nova chamada por ação social. “Nós não vamos dar desculpas. Não vamos tolerar nenhum abuso.”

Quando você é jovem, você se sente como se: “Eu posso mudar o mundo! Eu vou liderar a revolução!” E então você olha para trás depois de 25 anos e você fala: “OK, eu já deveria saber. Os mesmos problemas ainda existem, mas há uma maneira diferente abordá-los. Ainda envolve mobilizar as pessoas, mas não posso fazê-lo sozinho.”

É só um olhar mais sábio e mais maduro para a realidade de tentar fazer uma mudança positiva, uma mudança social.


LESSONS LEARNED (do Unbreakable, 2015)


Por cima de uma guitarra dedilhada, Janet canta sobre um relacionamento abusivo, onde a vítima continua voltando para conseguir mais. “O que faz ela querer ficar?” suspira a estrela.

Na verdade fiz esta faixa em um aeroporto no meu laptop. Não sei o que eu estava sentindo, mas eu toquei para Janet e ela foi embora e voltou com as letras.

Provavelmente a canção favorita de Terry agora e já faz um tempo. Ele realmente se apaixonou pelo conceito da letra. É sobre relacionamentos abusivos – mas não discute de quem é a culpa. Fala sobre o tipo de “porta giratória” que isso vira. Você permite que isso aconteça, e é preciso duas pessoas para isso acontecer. É uma canção muito resignada.


GON’ B ALRIGHT (do Unbreakable, 2015)

Soando como ‘Dance To The Music’ do Sly & The Family Stone, ‘Gon’ B Alright’ fecha o novo álbum de Janet um som efervescente, como de desenhos animados. “Todos nós precisamos de um pouco de amor quando ficamos na fossa,” Janet ri enquanto os trompetes tocam.

No início das conversar sobre o novo álbum, uma das coisas que nós queríamos era ter algo com a energia do Sly and the Family Stone [e] uma sensação Jackson 5.

Ela é sempre se afastou de qualquer coisa que parecesse com [a música de] seus irmãos, mas realmente sentimos que isto era apropriado. Particularmente em uma canção como ‘Broken Hearts Heal’ – que é uma canção diretamente sobre o irmão dela e eles crescendo juntos.

‘Gon’ B Alright’ se espremeu no álbum no último minuto. Tivemos momentos difíceis ao gravar – talvez duas ou três tentativas.

Curiosamente, Janet realmente faz todos os vocais – todas as vozes altas e as baixas – com um pouco de gambiarra e Janet cantando em vozes diferentes e diferentes personagens.

Pensamos que seria uma ótima maneira de terminar o álbum – em uma tom de otimismo. Acho que o álbum é tudo o que ela queria que fosse. Então eu espero que as pessoas estejam curtindo isso e se divertindo.

Unbreakable já está disponível pela LAB 344 / Rhythm Nation.

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