Home > 04. Spotlight > HuffPost : Janet é a sua nova ícone feminista favorita

HuffPost : Janet é a sua nova ícone feminista favorita

Do Huffington Post UK.


No mês passado, após uma pausa de sete anos, a Janet Jackson anunciou um novo álbum e uma próxima turnê mundial. Eu fiquei doida. Seja fã da música dela ou não, você precisa saber que esta mulher é coisa grande. No anúncio do de seu novo álbum, vinte e cinco anos depois do ‘Rhythm Nation’, Janet nos diz que ainda quer ser parte da “conversa“. Ok, é improvável que ela mude a Constituição, mas, em um momento em que as estrelas pop são inautênticas e apolíticas, isto é refrescante. Janet está tão relevante na cultura como sempre.

Inspirada por compositores protestantes como Bob Dylan e Joni Mitchell, Janet explorou temas de violência doméstica, desigualdade de gênero, sexo, homofobia, racismo… e, de vez em quando, ela ainda é chamada, depreciativamente, de irmã do Michael. (Mas, vocês sabem, o Jermaine só é chamado de Jermaine.) Depois de seu álbum de revelação, ‘Control’, seu mantra ‘Miss Jackson, para os safados…’ tornou-se a encarnação do R.E.S.P.E.C.T. da Aretha [Franklin]. Ao crescer na sombra de seus irmãos famosos, os obstáculos de seu sexo foram evidentes desde o início, e ela os tem superado desde então.

2015-07-20-1437381268-8055001-anigif_enhanced18667139749970912.gif
(Fonte: Buzzfeed)

A Janet é frequentemente comparada com suas colegas, principalmente a Madonna ou a Beyoncé, como se precisássemos de só uma incrível popstar feminina ou algo assim. Enquanto Madge e Bey ganharam respeito pelas suas respectivas passagens na Agenda Feminista, a parte da Janet permanece relativamente discreta. Enquanto a mensagem de Beyoncé é confusa (no mesmo álbum, a Bey sampleia a [escritora] Chimamanda Ngozi Adichie, e inclui a letra “coma o bolo, Anna Mae” [em referência ao abuso de Tina por Ike Turner]), e a mensagem de Madge é bastante limitada ao sexo, a Janet faz tiques em todas as caixinhas. Seus temas preferidos de sexualidade e assuntos sociais estão bem documentados. Ela passou de “Vamos esperar um pouco” para “a qualquer hora, em qualquer lugar” perfeitamente, demonstrando que, quando se trata de sexo, é legal que as mulheres possam dizer sim ou não – a mensagem que está por baixo é sempre sobre o controle. Quando ela explora fantasias lésbicas ou brinca com os papéis de gênero tradicionais em suas letras, é muito diferente da Madonna ou da Katy Perry fetichizando lésbicas para excitação masculina. A sexualidade de Janet não é para os homens, é para ela mesma. Ela ativamente defende o orgulho gay, e ela desafiar o heteronormativo é tudo parte dessa celebração.





Sendo a Jackson caçula, o plano era divulgá-la como comportada, inofensiva, sem graça. Janet cresceu atuando em sit-coms açucarados que, como o The Cosby Show, que veio depois, inovaram colocando personagens negros no centro do palco. No entanto, havia poréns subentendidos para que o público aceitasse a cultura negra na década de 80. Bill Cosby, um homem de influência considerável naquela época, repreendeu a sua companheira do The Cosby Show, Lisa Bonet, por filmar uma cena de sexo, e foi um inimigo declarado de certos elementos da cultura negra. As regras para a cultura negra ‘respeitável‘ estavam definidas – não seja provocante, não fale sobre desigualdade racial, não mostre sua sexualidade e não se envolva com hip-hop. A Janet fez todas estas coisas. Ela começou a fazer música com Jimmy Jam e Terry Lewis e demitiu seu pai do posto de seu empresário, num momento em que ela estava se arriscando bastante com sua carreira. Janet trabalhou com alguns dos artistas mais respeitadas no hip-hop, como Heavy D, Tupac, Chuck D e Q-Tip. Também trabalhou com duas das mais bem sucedidas e respeitadas rappers, suas colegas Missy Elliott e MC Lyte.

Ao invés de esconder quem ela achava que era, Janet se recusou a se identificar como uma americana típica, ou mesmo como uma Jackson. Janet se identifica primeiramente como uma mulher negra. Ela nunca pediu desculpas por sua raça ou sexo, ou pelo que isso significa pra ela. A pele dela não é clareada, ela não desenvolveu um espaço no meio das coxas (no Photoshop, ou não), e ela luta abertamente contra a flutuação de seu peso, enquanto critica a fiscalização e a pressão sobre os corpos que as mulheres têm de aturar. A Janet apoia outras artistas mulheres, e quando os entrevistadores tentam alfinetar a Mariah, a Gaga ou a Rihanna, ela os censura.

O “acidente de vestuário” foi uma lição sobre as expectativas do público em relação a homens versus às mulheres. Janet foi colocada na lista negra, processada, censurada e detonada pelos meios de comunicação. O caso foi para o Supremo Tribunal. Prejudicou suas vendas de álbuns. A guerra do Iraque já durava um ano, e o Presidente Bush a condenou publicamente. Timberlake, no entanto, ganhou dois Grammy’s – provando mais uma vez que ser um homem branco é bem agradável. Janet devidamente fez seu pedido de desculpas, mas apontou a hipocrisia histérica da mídia e do Presidente, a quem ela acusou de ter usado o “Nipplegate” como uma distração da eleição. Tudo isto aconteceu por causa de um segundo de um peito. Janet manteve que o corpo de uma mulher não é vergonhoso. Agora? Bem, é claro que ela foi a primeira a “Free The Nipple” [campanha atual contra a censura de mamilos femininos.]

A Janet Jackson certamente não é um novo ícone feminista, mas, vinte e cinco anos depois, ainda queremos ser parte da sua Nação do Ritmo. Bow down, bitches.

Leave a Reply