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IDOLATOR : Jimmy, Terry e a criação de músicas

Do Idolator.


Quando se pensa em um produtor musical que impactou a indústria, minha geração pode trazer nomes como Timbaland, Max Martin, Dr. Dre ou Pharrell. Mas não vamos nos esquecer dos outros que antes ultrapassaram (e continuam ultrapassando) barreiras em quase todos os gêneros! Aí entram o Jimmy Jam & Terry Lewis, que há décadas vêm unindo suas mentes criativas para gerar canções de inesquecíveis, pioneiras para dezenas dos seus artistas favoritos — notavelmente, claro, Janet Jackson.

A artista lendária se reuniu com a equipe de produção do igualmente lendária em seu novo álbum Unbreakable, que é o primeiro de Janet desde Discipline, em 2008. Então, naturalmente, Jimmy e Terry tiveram muita coisa para compartilhar comigo sobre este novo capítulo musical!

Continue lendo para ver o que a dupla de produção teve a dizer sobre a trabalhar no Unbreakable, sua definição de um “retorno,” o 30º aniversário do Control, a nova geração na música e muito mais.


Qual foi sua reação quando Janet lhes ligou e disse, “Ei, estou pronta para fazer outro disco.”

JIMMY JAM: Eu fiquei bem feliz, porque nos últimos sete anos, tivemos muitas conversas sobre trabalharmos juntos em um novo projeto. Lembro-me de almoçar com ela, provavelmente dois anos atrás, e nós conversamos sobre tudo além de gravar um álbum — não precisamos. Realmente foi pra conhecer um ao outro novamente e colocar a conversa em dia. Naquele momento eu sabia que íamos fazer algo musicalmente. Eu não sabia quando, mas eu tive essa sensação. Quando finalmente ficou sério foi quando seus empresários falaram sobre o desejo de ver algo acontecer. Uma vez que foi formalizado, começamos o processo de como fizemos com cada álbum. Só para esclarecer, eu conto do Control ao All For You como os álbuns que foram feitos a maneira, que nós aproveitamos a gravação com apenas nós três, sem influência externa — e esses cinco primeiros álbuns foram feitos assim. Para o Unbreakable, sentimos a necessidade de voltar a isso, e nós gravamos basicamente por seis meses. Ninguém sabia que nós estávamos gravando! Todo mundo ficava perguntando, “Quando vocês vão começar?” Nós continuávamos dizendo que estávamos planejando, entretanto já tínhamos seis ou sete músicas feitas. O processo funcionou fantasticamente!

TERRY LEWIS: Uma coisa que eu sempre digo é que Janet é importante demais na música. Ela tem uma voz que as pessoas ainda valorizam, então eu pensei que era um bom senso da hora certa para ela. E obviamente ela só [grava] quando tem algo a dizer.

Então o que fez de 2015 a hora certa para fazer um álbum?

TL: Eu acho que como artista você sente em sua alma. Não é uma linha do tempo com base em anos ou o que todo mundo quer — isso é exalado por você. Então ela teve que estar confortável com seu momento na vida para espalhar a sua música ao mundo todo, e é isso que ela está fazendo.

Ao gravar o álbum, vocês sentiram pressão para competir com as garotas novas? Por exemplo, o Rebel Heart, da Madonna, inclui alguns sons que são reflexos da música pop atual. Ou vocês só queriam voltar à tradição?

JJ: Quanto a competir, não havia sentido nisso porque nós somos fãs de todas as mulheres aí que fazem o que fazem. Acho que é mais para fazer um álbum que é fiel a nós e soa como Janet — seja uma balada de piano ou uma gravação de House. Quando você pensa sobre a história de Janet na música e seu catálogo, você tem sons animados como “Escapade” e “Miss You Much,” algo realmente funky como “What Have You Done For Me Lately” e “Nasty” e “Black Cat”, inspirada no rock — e é tudo ela! Portanto, não foi pra tentar ficar na moda, foi pegar todos aqueles tipos de música que ela ama e fazer algo que pareça com ela. Se soa como Janet, significa que nós estamos fazendo nosso trabalho. Se queríamos atingir alguém, definitivamente foram seus fãs. Isso foi o espírito todo do álbum.

Um monte de divas estão fazendo comebacks ultimamente, mas existem millennials que talvez possam estar sendo apresentados ao som dela agora. Como vocês acham que o novo disco de Janet terá impacto sobre a geração mais jovem?

TL: Você diz “comeback” (voltar), e só digo “come out” (aparecer)! Quando artistas tão prolíficas não querem gravar um álbum, não é que eles desapareçam — eles apenas escolheram viver a vida. Para lançar música nova e ter grandes coisas a dizer, você tem de viver um pouco da vida! Você pode ter escritores colocando coisas na sua boca, mas as coisas que vêm da alma alcançam a alma. Janet aparece quando ela está pronta, e assim como Madonna e Mariah ou qualquer outra pessoa. Mas o que elas têm que oferecer? Elas mesmas e seu estilo individual, e não tente colocar uma contra a outra, porque eu acho que isso é muito injusto. Elas são todas muito bem sucedidas. Se elas anunciarem uma turnê sem músicas novas, elas podem esgotar ingressos, certo?

Claro, em questão de minutos!

TL: E algumas pessoas conseguem o topo das paradas e não conseguem vender bilhetes! Então eu acho que isso de velha guarda versus jovem guarda é uma loucura. Só existe a escola — ou você aprende ou não. Sem a música antes de nós, a música agora nem existiria. Nunca podemos perder de vista a música de qualidade dos anos 70 e 80, por exemplo.

Então qual foi a música mais divertida de se gravar no estúdio enquanto criavam o Unbreakable?

JJ: Difícil, porque não deixei de ouvir o disco por muito tempo, e músicas diferentes foram minhas favorito em momentos diferentes. É engraçado porque ninguém nunca me fez essa pergunta! Quando começo a tocar o álbum, eu acabo ouvindo a coisa toda sem parar. É como assistir um filme muito bom. A favorita do meu filho é “Broken Hearts Heal”, e a opinião dele significa muito para mim. Se tivesse de ouvir uma música agora, iria provavelmente escolher “Well Traveled”. Ele realmente resume sua experiência pelo mundo. Além do mais, acabei de sair da estrada com ela e a canção foi como a trilha sonora na minha cabeça. Você ouviu o álbum?

A que se destacou para mim foi “Night”, eu amo essa música.

JJ: Dei essa pro DJ da Janet antes de alguns de seus shows — ela não tem um ato de abertura, é basicamente como uma grande festa na arena, antes do concerto começar — e disse-lhe para tocar essa e “Dammn Baby” para avaliar a reação da multidão. Estávamos em Nova Orleans uma noite dessas, e tínhamos acabado de colocar “Night”, e a multidão estava curtindo muito! O DJ acabou tocando três ou quatro vezes e eles realmente responderam bem.

TL: “Night” tem uma energia ótima, ótima, e o que ela canta é muito profundo. Acho que é uma sensação com a qual você quer acordar todos os dias, e a sensação mais pacífica que você poderia imaginar, penso eu.

Mudando um pouco de assunto, o lançamento do Unbreakable acontece em conjunto com o 30º aniversário do Control, que vem em poucos meses. Como você acha que o álbum envelheceu ao longo das décadas?

JJ: Envelheceu muito bem, assim como a Janet! [risos] Acabei de ouvir as músicas no show dela e a multidão cantou cada palavra de “Let’s Wait Awhile”. Isso me mostra que o disco ainda ressoa, e hoje ainda estou ouvindo aqueles sons. Há também uma apreciação por ele entre os fãs novos.

TL: Acho que o Control é atemporal, porque foi basicamente desabrochar de um botão de flor. Foi quando Janet encontrou sua voz. Antes desse álbum, apenas davam músicas para ela cantar. Mas no Control, ela realmente teve a oportunidade de descobrir quem ela era musicalmente e o que ela queria dizer. Isso foi o começo de tudo, em termos de sucesso. Se você pensar sobre o que estamos fazendo agora, estamos no mesmo lugar. [Unbreakable] é apenas a evolução disso.

Vocês têm uma Era favorita da Janet Jackson? Eu, pessoalmente, adoro The Velvet Rope.

TL: Acho que cada época é seu próprio diamante. Começando pelo Control, que mudou o som das rádios com “Nasty” e “What Have You Done For Me Lately”. Em seguida, Rhythm Nation que começa socialmente consciente na primeira metade do álbum e ela fala, “Okay, entendeu? Vamos dançar!”. Então vem o janet. com “That’s The Way Love Goes”… cara, você pode simplesmente continuar falando para sempre. É difícil para mim escolher o meu favorito, porque eles são todos grandes trabalhos, que eu é algo que eu prefiro ao invés de apenas singles. É difícil mergulhar em uma só música. Um álbum pode mudar o seu humor e levá-lo em uma viagem — não só uma jornada musical, mas uma jornada de vida. Há algo que você pode aprender e se identificar, e é melhor do que qualquer música “Vou sacodir meu traseiro na balada” que pode ser popular no momento. Mas isso não é propriamente um lançamento musical.

Com esta geração atual da música, existe alguém que vocês olhem e digam, “Oh, essa pessoa vai durar por um tempo”?

TL: Agora o The Weeknd está fazendo grandes canções. Eu também amo Ed Sheeran, ele é o cara. Minha escolha feminina é a Tori Kelly. Mais uma vez, os trabalho completo vai dizer mais do que só os singles. É quando as pessoas descobrem quem você realmente é, quando você começa a se definir. Antes disso, Usher [“Bad Girl,” “U Remind Me” e “Simple Things” foram produzidas por Jam & Lewis] me inspirou a fazer isso mais ainda em um tempo quando eu não estava me sentindo inspirado. Ele mudou a maneira com que olho para a música. Ele estava buscando a excelência, e isso me fez querer trabalhar mais.

Então você e Terry vêm produzindo juntos por décadas, e eu sempre quis saber se já tiveram algum desentendimento no estúdio.

JJ: Não, de verdade, e é devido à forma com que nossa parceria está configurada. Quando começamos a nossa empresa, éramos parceiros 50/50. Isso significa que nunca temos de nos concentrar na tomada de decisões com base em porcentagens, que é uma vantagem enorme criativamente. Não é ideia minha ou a ideia dele, é a melhor idéia — e essa é a razão pela qual não discutimos. Nunca resume-se a mim e ao Terry. No fim das contas, o artista quebra o empate.

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